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Cada mirada estrena el mundo

viernes, julio 16, 2004

  




    
  

  
  

Meditação sobre ruínas 
  
Desembarcou numa sala sem dourados nem cadeiras:
madeiras velhas, jarras com flores de plástico, janelas
de vidros partidos para a auto-estrada. Nem vento,
nem mar: só o ruído dos carros entrava pelas fendas
para ecoar no tecto (madeiras à vista entre os restos
de estuque). Depois, na rua, pendurou-se nos ferros podres
de antigas varandas. Percebia-se, por entre os arbustos
que invadiam tudo, uma vista que teria sido digna
de um quadro romântico. O vale, coberto de casas, e
os montes invadidos por ferro-velho, ocultam um passado
de rebanhos e pastores. Mas talvez não se tenha ouvido aqui
a música da flauta. Com efeito, esta casa limita-se
a guardar antigos silêncios, que o uso transformou em manchas
sépia na memória. Agora, confundem-se com a cor das paredes;
e só abrigam tocas répteis, que apenas se adivinham,
no inverno, escondidos do universo. Mas alguém passou por aqui,
há pouco; e um monte de madeira fumega, ainda, enquanto
o sol avança a partir do nascente, onde as cores frias
da madrugada não se dissipam, nem pássaro algum saúda
o nascer do dia.
 
Nuno Júdice


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